história
e particularidades
"Prefeitura
acabará com ruas clandestinas"
(Jornal
"Diário de São Paulo",
edição do dia 21/03/1973)
Com este título, o jornal chamava
a atenção para um sério
problema na cidade: a proliferação
de loteamentos e a conseqüente abertura
de ruas sem qualquer reconhecimento por
parte da municipalidade. Naquele ano, informava
a mesma reportagem, já eram cerca
de "800 os arruamentos clandestinos"!
Problema antigo da cidade, o seu rápido
e espantoso crescimento trazia como conseqüência
a ocupação por moradores de
áreas rurais e, mais grave, a proliferação
de loteamentos não regulares. Ao
mesmo tempo, a estrutura administrativa
da Prefeitura não conseguia acompanhar
a enorme velocidade com que eram abertas
as novas vias e logradouros, o que redundava
na grande quantidade de ruas identificadas
apenas por letras ou números. Por
vezes, algumas comunidades (ou mesmo os
loteadores) não aceitando essa situação,
resolviam por conta própria "batizar"
as ruas que, dessa maneira, ficavam apenas
"conhecidas", não sendo
reconhecidas pelo poder público.
Desde o início do século XX,
a Prefeitura resolvia essa questão
através da edição de
Atos e Decretos genéricos visando
a oficialização de grande
número de logradouros. Esse mesmo
expediente (o primeiro deles ocorreu em
1916) foi bastante utilizado nas décadas
de 50 e 60. Apesar disso, na década
de 70 a situação já
beirava o caos, o que obrigou a uma tomada
de posição mais firme por
parte da municipalidade que corria o risco
de perder o controle nessa parte tão
importante do governo.
No dia 06 de junho de 1975 (administração
do Prefeito Olavo Setúbal), era baixada
a Ordem Interna nº 1.630 no âmbito
do Departamento de Rendas Imobiliárias,
constituindo um grupo de trabalho para "disciplinar
os procedimentos que levam à concessão
de nomes aos logradouros públicos
do Município de São Paulo
- como meio de sanar as irregularidades
e os problemas existentes e para evitar
o aparecimento de novas situações
incorretas". Formado por técnicos
daquele Departamento, o grupo, numas de
suas avaliações, relatou que
"na atual realidade, o ponto crítico
do sistema consiste na falta de um critério
único que presida aos procedimentos
que levam à denominação
oficial dos logradouros, além da
carência necessária de uma
estrutura que assegure a observância
de cautelas mínimas em seu ´batismo´
oficial, em condições de atender
a um Município do porte de São
Paulo."
No que toca à denominação
de vias e logradouros públicos, o
grupo de trabalho detectou um problema na
legislação pertinente: até
então, restringia-se a escolha a
nomes de pessoas, fatos ou datas de notória
importância. Nesse sentido, foi proposto
(e depois aceito) que outros temas pudessem
fazer parte desse processo, ou seja, "nomes
de qualquer maneira ligados à Arte,
Cultura e Ciência".
Nesse mesmo ano de 1975, o Prefeito emitiu
a Portaria nº 45 (07/07/1975) constituindo
outro grupo de trabalho com representantes
de diversas unidades da Prefeitura, uma
vez que colocava-se como prioridade "a
necessidade de organizar o sistema de cadastro
de logradouros, para operação
por computador, de forma eficiente, que
permita a obtenção rápida
e segura de informações".
Como este era um assunto de muita importância
para a cidade, o mesmo ganhou manchetes
na imprensa paulistana. O Diário
Popular (edição do dia 05/11/1975)
estampou em suas páginas a notícia
de que "A Prefeitura vai colocar
nomes em 20 mil ruas" e, na
matéria, explicava: "Das
45 mil ruas existentes em São Paulo,
cerca de 20 mil não possuem nomes
(as ruas com letras ou números) ou
tem seus nomes em duplicata, criando uma
série de problemas, tanto para os
órgãos públicos como
para as empresas entregadoras. Para eliminar
o problema, o prefeito Olavo Setúbal
instituiu um grupo de trabalho integrado
por nove representantes da Secretaria de
Vias Públicas, Companhia de Processamento
de Dados do Município, DSV, Coordenação
das Administrações Regionais
e Divisão de Patrimônio Histórico,
da Secretaria Municipal de Cultura. A finalidade
do grupo era para classificar, cadastrar,
atualizar, definir o sistema de denominação
e emplacamento das ruas, além
de preparar uma lista de nomes históricos
a serem dados aos logradouros sem denominação."
Unindo os resultados e conclusões
dos grupos, bem como o "Projeto Cadastro
de Logradouros" que estava sendo desenvolvido
no Departamento de Rendas Imobiliárias,
a Prefeitura cria o Sistema Banco de
Nomes. Para a sua elaboração,
foram também contratados três
consultores: o Arquiteto Benedito Lima de
Toledo, o Prof. Flávio Di Giorgi
e o Jornalista Lauro Machado Coelho, responsáveis
pelo estudo e sugestão de nomes que,
mais tarde, seriam dados aos logradouros.
Finalizado e implantado em 1977, o Banco
de Nomes era composto por 25.000 (vinte
e cinco mil) sugestões registradas
eletronicamente pela PRODAM (Companhia de
Processamento de Dados do Município)
em fichas individuais. Cada uma delas trazia
a sugestão (nome proposto) a sua
explicação ou histórico,
bem como as fontes de referência.
A equipe de consultores escolheu os nomes
tendo como base inúmeros temas: América
do Sul, Artes Plásticas, Astronomia,
Biografias, Botânica, Cinema, Folclore,
Geografia Universal, História da
Arquitetura, História do Brasil,
História da Ciência, História
da Dança, História da Igreja,
História da Música, História
do Paraná, História do Teatro,
História Universal, Lingüística,
Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa,
Literatura Universal, Mineralogia, Mitologia,
Música, Música Popular Brasileira,
Nobiliarquia, Química, Sociologia,
Topônimos e Zoologia.
Utilizado desde então pelo Departamento
de Cadastro Setorial (CASE) da Secretaria
Municipal da Habitação (SEHAB),
em 1979 a Prefeitura já havia providenciado
a denominação milhares de
logradouros (Jornal "Diário
Popular", edição do dia
25/05/1979). Nesse ritmo, o Banco de Nomes
foi-se esgotando. Por outro lado, como os
nomes eram escolhidos, os ainda disponíveis
na década de 80 eram aqueles de difícil
escrita ou pronúncia ou, ainda, nomes
estranhos ligados geralmente a temas como
Química (nomes de elementos químicos)
e Botânica (nomes científicos
de plantas), que não eram adequados
para a denominação de logradouros.
No final da década de 80, restavam
poucas centenas de nomes no sistema o que,
por sua vez, inviabilizaria em curto prazo
as novas denominações por
parte de CASE. Para resolver este problema,
o Arquivo Histórico Municipal foi
consultado e a equipe da Seção
de Denominação de Logradouros
encarregou-se de alimentar o Banco de Nomes
com novas sugestões. Esse trabalho
foi realizado até 1992, final da
gestão da Prefeita Luiza Erundina.
Ainda como parte do Sistema Banco de Nomes
e especificamente a sua alimentação
com novas sugestões, foi lançado,
em Setembro de 1990, o projeto Participação
Popular que proporcionava a todos os
munícipes a oportunidade de indicar
novos nomes para os logradouros da cidade.
Amplamente divulgado pela mídia (até
por que tratava-se de uma iniciativa inédita),
o projeto recebeu centenas de cartas com
sugestões imediatamente incorporadas
ao Banco. Gerenciado conjuntamente pelo
Arquivo Histórico Municipal (D.P.H.-S.M.C.),
Departamento de Cadastro Setorial (SEHAB)
e Secretaria do Governo Municipal, o projeto
Participação Popular foi o
responsável pela denominação
de grande quantidade de vias e, inclusive,
proporcionou a edição de um
caderno especial do Diário Oficial
do Município publicado no dia 28/12/1991,
contendo 286 (duzentos e oitenta e seis)
Decretos oficializando e denominando mais
de 500 (quinhentos) logradouros.